sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Paripiranga na História - 8 - O cangaceiro Saracura.


                          Cada vez mais descobrem-se pessoas e fatos que elevam Paripiranga à  categoria de palco de uma das páginas mais estudadas e dolorosas do Brasil Contemporâneo: O Cangaço.
    
     Desta vez, a surpresa veio por conta de uma conversa com um amigo que também pesquisa a nossa História e que revelara através de relatos orais de pessoas que viveram nas décadas de 1920 e 1930. Catando informações aqui e ali, ficou constatado que Paripiranga foi um pequeno celeiro dos cabras de Virgolino e dos seus subgrupos aqui de passagem, além de ser também referência  de algumas pessoas que davam apoios chamados pelas volantes de coiteiros.
     Um desses personagens foi o natural de Paripiranga de nome Benício Alves dos Santos que recebeu a alcunha de Saracura. Nascido na região chamada de Curral, perto da comunidade Maritá, divisa com os  municípios de Carira e Pinhão no estado de Sergipe.
     Em entrevista ao jornalista  Joel Silveira em 1944, na Penitenciária de Salvador(BA), Saracura conta como entrou para o bando de Virgolino e depois seguiu com Angelo Roque, o Labareda, que continuou juntamente com Corisco a tarefa de manter viva a chama do Cangaço após o passamento de Lampião em 1938.
       
 Veja a seguir, um trecho desta conversa interessante com alguns cangaceiros sobrevieventes:

O próprio Saracura parece, agora, sair do seu sono triste. Pede a palavra e conta:
-"Posso falar do meu caso. Peguei na espingarda quase obrigado, para mim vingar das misérias que fizeram com meu pai. Um dia, no Coité, uma volante invadiu o nosso sítio. Queriam á força que meu pai desse notícia dos cangaceiros, como se ele fosse um coiteiro. O velho não sabia de nada, e então os "macacos" começaram a supliciar o pobre: arrancaram as barbas dele, fio a fio, arrancaram suas unhas com alicate; se o senhor pensar que estou mentindo, vá lá no Coité e procure André Paulo Nascimento, que mora nas redondezas. É o meu pai. Ele dirá ao senhor se estou ou não falando a verdade. Ele mostrará ao senhor o estado em que ficaram seus dedos. E eu próprio, antes de pegar na espingarda, fui um dia violentamente espancado na Fazenda Curral, perto do Coité. Os "macacos" haviam dito que eu era coiteiro, mas na verdade é que, até então, eu nunca vira um bandido na minha vida ".
Saracura me revela mais que é casado e tem três filhos, que de vez em quando o visitam.

   O termo dito pelo cangaceiro Saracura que relaciona Coité como sua terra está correto, pois Paripiranga antes chamava-se de Patrocinio do Coité. Como está contida na seguinte informação tirada no WIKIPÉDIA:

Nos seus primórdios, a povoação de Malhada Vermelha foi premiada pelo cidadão José Antônio de Menezes, que construiu uma capela sob a invocação de Nossa Senhora do Patrocínio, filiada à Freguesia de Nossa Senhora do Bom Conselho dos Montes do Boqueirão. A dita capela foi elevada à categoria de freguesia pela Lei Provincial 1 168, de 22 de maio de 1871, com o nome de Nossa Senhora do Patrocínio do Coité.
Foi o Arraial de Patrocínio de Coité elevado à categoria de vila pela Lei Provincial 2 553, de 1 de maio de 1886, que criou o município de Patrocínio de Coité, com território desmembrado do de Bom Conselho (atual Cicero Dantas), que se instalou a 1 de fevereiro de 1888. Pelo Decreto Estadual 7 341, de 30 de março de 1931, o município teve o seu nome mudado para Paripiranga.


       Acompanhe o vídeo abaixo que mostra relatos de Saracura, Angelo Roque, tenente Zé Rufino e imagens do bando de Virgolino.







 Entrevista de Joel Silveira integra o livro "Tempo de Contar" (Editora Record, 1986).

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Paripiranga na HIstória -7 - Um dos últimos guerreiros de Virgolino.

CANGACEIRO VINTE E CINCO, UMA VISITA A UM DOS ÚLTIMOS GUERREIROS DE LAMPIÃO.

José Alves de Matos, o ex-cangaceiro Vinte e Cinco é um dos três últimos cangaceiros vivos. Ainda lúcido tem uma memória privilegiada e apesar dos seus 95 anos de idade recebe sempre visitas em sua residência  para falar do seu tempo de cangaceiro.
Ele lembrou com facilidade que eu havia estado com ele em nosso primeiro encontro há exatos seis anos.
José Alves de Matos nasceu em Paripiranga, Bahia, na fazenda Alagoinha. Teve vários primos  e sobrinhos com ele no cangaço, tais como: Santa Cruz, Pavão, Chumbinho, Ventania e Azulão. No dia que entrou para o bando de Corisco o seu sobrinho Santa Cruz entrou no grupo de Mariano.
Vinte e Cinco discutiu com Dadá e saiu do grupo de Corisco para o grupo de Lampião. Podemos vê-lo em foto ao lado de Corisco e em outro momento ao lado de Lampião. Quando da morte de Lampião havia ido com os dois irmãos Atividade e Velocidade buscar uns mosquetões e umas munições.
Vinte e Cinco vem de uma família numerosa, sendo oito irmãos e seis irmãs e depois seu pai casou novamente e nasceram mais cinco homens e três mulheres. Quando acabou o cangaço e se entregou com alguns companheiros em Poço Redondo, Sergipe, acabou ficando preso por quatro anos em Maceió e dentro da cadeia começou a estudar, quando recebeu o alvará de soltura conseguiu entrar no estado como Guarda Civil, conseguindo a vaga através de um amigo. Quando o governador Ismar de Góis  Monteiro descobriu que ele havia sido cangaceiro convocou o secretário de Justiça do Estado, o senhor Ari Pitombo e disse que não podia ficar com ele na guarda pois ele havia sido cangaceiro, o secretário procurou o chefe da guarda, o major Caboclinho e o major disse que ele era entre os 38 guardas o melhor profissional que ele tinha. O Secretário resolveu fazer um concurso entre eles e José Alves contratou duas professoras, esqueceu as festas e curtições e foi estudar bastante o que lhe rendeu o primeiro lugar na primeira fase, na segunda fase se classificou entre os melhores e quase foi reprovado na parte de tiro, pois era acostumado com o Parabellun e teve que atirar com um 38, só passando depois que atirou com o parabellun e acertou o alvo, depois de duas sequencias de erros com a outra arma. Hoje José alves de Matos é aposentado como funcionário público estadual.

JOÃO DE SOUSA LIMA, JOSÉ ALVES DE MATOS E JOSUÉ SANTANA.
JOSÉ ALVES COM SUA FAMÍLIA, A ESPOSA  MARIZA, AS FILHAS DILMA E DALMA, O GENRO GIVANILDO,  A NETA JULIANA, O NETO JOÃO PEDRO E A BISNETA MARIA EDUARDA
JOSÉ ALVES E A ESPOSA MARIZA
 25 E JOÃO LIMA
FOTO DAS ENTREGAS DOS CANGACEIROS ONDE APARECE O 25
 VINTE E CINCO, COBRA VERDE E SANTA CRUZ (SOBRINHO DE VINTE E CINCO, FILHO DE SUA IRMÃ JOANINHA, ESSE CANGACEIRO ERA IRMÃO DO TAMBÉM CANGACEIRO ZEPELLIN)
 CORISCO E VINTE E CINCO
OUTRA FOTO DAS ENTREGAS DOS CANGACEIROS ONDE APARECE O VINTE E CINCO.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Paripiranga na História - 6 - EXPOSIÇÃO BONITA MARIA DO CAPITÃO



     No último dia 5 de agosto de 2012 visitei a "Exposição Bonita Maria do Capitão" no "Museu da Gente Sergipana",organizada pela pesquisadora e neta do casal mais famoso do Brasil, Vera Ferreira, e pela pesquisadora Germana Araújo, e lá confirmei o que os mais velhos em nossa Paripiranga já falavam: a passagem do capitão Virgolino e sua esposa Maria por nossas caatingas.O ano é 1936 e nossa Paripiranga fica assim eternizada como um chão que contribuiu para a história do Cangaço,do Nordeste e do Brasil.
   Além de um lugar espetacular(o Museu), visualizei lá alguns objetos pessoais de Maria e outras peças encontradas após o massacre em Angico,Poço Redondo,Sergipe.Como o testemunho de Tomé vi de perto a materialidade de uma das páginas mais bonitas e dolorosas do Brasil Contemporâneo.Com uma ideia na cabeça e uma câmera na mão(Glauber Rocha), filmei e retratei o que pude sobre a exposição.
   Espero que gostem de minha filmagem e retrato feitos para a valorização de nossa História local e regional. 

       Thomaz Araújo.






    

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

23 anos de Lua no Céu.



Lampião Falou
Eu não sei porque cheguei
Mas sei tudo quanto fiz

Maltratei fui maltratado
Não fui bom, não fui feliz
Não fiz tudo quanto falam
Não sou o que o povo diz
Qual o bom entre vocês?
De vocês, qual o direito?

Onde está o homem bom?
Qual o homem de respeito?
De cabo a rabo na vida
Não tem um homem perfeito
Aos 28 de julho
Eu passei por outro lado
Foi no ano 38
Dizem que fui baleado
E falam noutra versão
Que eu fui envenenado
Sergipe, Fazenda Angico
Meus crimes se terminaram
O criminoso era eu
E os santinhos me mataram

Um lampião se apagou
Outros lampiões ficaram
O cangaço continua
De gravata e jaquetão
Sem usar chapéu de couro
Sem bacamarte na mão
E matando muito mais
Tá cheio de lampião

E matando muito mais
Tá assim de lampião
E matando muito mais
Na cidade e no sertão
E matando muito mais
Tá sobrando Lampião.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

74 ANOS SEM O REI DA CAATINGA

   
    Em 28 de julho de 1938,em Angico, Poço Redondo, Sergipe, entrava  para a história aquele que seria o bandoleiro mais procurado do nordeste(talvez do Brasil) naquela época.
  Sinônimo de muito estudo e controvérsias,ele inspira poetas,cantadores,contadores,entusiastas,estudantes,professores e escritores a reverem sua saga que envolve um misto de ódio e amor,de historia sofrida e glória perante a iminência de sua tragédia anunciada.Tendo do seu lado no  seu derradeiro suspiro sua esposa que passou 8 anos pelas refregas e pelas persigas das volantes que também incomodavam muito o povo do sertão.
  Com um olho só enxergava o que a maioria dos generais de academia não conseguiam nem a meio metro.Astuto,inteligente,estrategista,marqueteiro pessoal,desconfiado,líder nato,bom de papo e de presença,buon vivant, foi à forra com seu estilo próprio.Um Bonaparte de couro na cabeça(até o Gonzagão se rendeu a sua forma própria de se trajar), e de traços ecléticos pelos bornais  e vestimentas postas é um dos mais instigantes sertanejos que ainda hoje geram discussões nas gentes dos Sertões de Euclides, de Conselheiro, do Padin Ciço, de Lua, de tantos Severinos e de todos nós que nascemos nesta aridez natural e humana que ainda gera injustiças de todas as ordens e tamanhos.
  Nesses 74 anos de sua passagem para o além,para além da desastrosa vida que a maioria vivia naquela época(e hoje ainda), e além de todas as humilhações que o povo do sertão vive( a seca de solidariedade e de responsabilidades perante a seca de água), o nosso Capitão Virgolino vai ser um eterno "coiteiro" dos nossos saberes e curiosidades sobre a caatinga,o messianismo, a canga e o cangaço e seus personagens tão plurais neste sertão de vidas secas e barrigas vazias,mas cheio de histórias e estórias muito mais singulares.

 Autor: Thomaz Araújo.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Paripiranga na História- Parte 5

24 de dezembro de 1938, no “Estado da Bahia”:.
MAIS DOIS ASSECLAS DO GRUPO DE LAMPEÃO ENTREGAM–SE Á POLICIA
Corisco, só depois de morto
Chegaram hontem, no trem de Sergipe, precisamente ás 17 horas e 50 minutos, mais dois bandidos pertencentes ao grupo de José sereno. escoltados por um cabo e dois soldados, os ex–cangaceiros saltaram na gare da Calçada, onde foram rodeados de curiosos, até que chegou o carro da policia e os conduziu para a Delegacia Auxiliar.

CAJAZEIRA E DIFFERENTE
Os bandidos chemam–se José Francisco dos Santos, mais conhecido pela alcunha de “Cajazeira” e Manoel Nascimento, mais conhecido pela alcunha de “Differente”, tendo se entregado á Policia Bahiana na serra Negra, perto do Estado de Sergipe. O primeiro tem apenas 21 annos de idade, e, segundo suas declarações, entrou para o bando em vista de ter sido perseguido pela policia de Sergipe, por causa da accusação de ser coiteiro.

A ILLUSÃO DO CANGAÇO

“Differente” entrou para o grupo de “Zé Bahiano”, contra 23 primaveras, tendo dois annos de cangaço e lutas. Quando Zé Bahiano foi victimado, elle passou para o bando de “José Sereno”, onde até o momento de se entregar continuou a sua vida de assassinios e assaltos.
Contou–nos tambem que começou a exercer esta vida após “Canario” tê–lo convidado para entrar no bando com promessas cheias de vantagens. Porém, agora – acrescentou – resolveu entregar–se pois o cangaço nada mais é do que uma vida de illusões e perseguições.

“CORISCO” SÓ DEPOIS DE MORTO

“Corisco”, o perigoso “Diabo Louro”, que promettera entregar–se, mudou de intenções. Tambem “Angelo Roque” outro temivel cangaceiro e chefe de 4 homens, pretendeu entregar–se, mas o “Diabo Louro” o convenceu do contrario – declarou “Cajazeira”, que fala como uma victrola no seu falar arrastado de sertanejo.

9 BANDIDOS APENAS
Dois grupos ainda perambulam pelos sertões bahiano e sergipano, um commandado pelo “Diabo Louro”, sendo composto de 4 homens e outro commandado por Angelo Roque, com 3 homens.

MUNIÇÃO DE SERGIPE

Continuando a falar, os bandoleiros declararam que recebiam toda a munição de Sergipe e que lá eram muito pouco perseguidos. Ao contrario se verificava no sertão bahiano, onde nós recebiamos tiros em todos os logares por onde passavamos. Demos poucos combates com a Policia Bahiana, mas foram combates que deixaram recordaçõe, pois nelles vimos abatidos innumeros dos nossos.

NOTAS SOLTAS

Os ex–cangaceiros entregaram–se ao sr. João Maria, irmão do Coronel Liberato de Mattos, o qual não se descuidou e logo ao seu irmão deus sciencia do facto. O coronel enviou uma escolta que os conduziu a esta Capital
Com a prisão destes dois bandidos, o cangaço soffreu mais um golpe que o fez diminuir a intensidade e actividade.

24 de dezembro de 1938, no “A Tarde”:
DESISTIRAM DO CANGAÇO


Pelo trem nocturno de Sergipe, chegaram, hontem, ás 17 horas e 53 minutos, á esta capital, os bandidos “Differente” e “Cajazeiras”, que se apresentaram á policia, em Paripiranga.



Fonte: SILVA FILHO, Rubens Antonio da. “4 de dezembro de 1938, no “Estado da Bahia”:”, in: “Cangaço na Bahia” site: http://cangaconabahia.blogspot.com.br
acessado em 19-07-2012, às 18h25m.



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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Paripiranga na História-Parte 4

 

 

7 de janeiro de 1928, no “A Tarde”:
TERIA DESERTADO MESMO DO BANDO SINISTRO?
UM ASSECLA DE LAMPEÃO, PRESO EM PARIPIRANGA E TRAZIDO Á CAPITAL.




   A horda de bandidos, chefiada por Virgolino Ferreira, continua a infestar a zona sertaneja que o temivel facinora escolheu para campo de suas operações.
Agora mesmo o bando sinistro se encontra no visinho Estado de Sergipe.
Compõe–se de 23 caibras chefiados pelo terrivel scelerado: 20 homens e 3 mulheres, bem armados e municiados.
Ultimamente um dos asseclas do grupo, o bandoleiro José Soares Santos vulgo “Campinas” entendeu de abandonar os companheiros de cangaço, fugindo – porque só fugindo podia desertar – com destino a Paripiranga, onde descoberto por agentes da Força Publica, foi preso e conduzido para esta capital. O bandido que se acha recolhido ao xadrez da Praça 13 de Maio, á disposição do chefe de Policia, declarou que fôra forçado, sob ameaça de morte, a seguir o grupo do faccinora deixando–os assum que poude fazel–o. Diz–se analphabeto e haver nascido no municipio de Paripiranga, antigo Patrocinio do Coité.

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8 de janeiro de 1928, no “A Tarde”:
O CANGAÇO NO NORDESTE
“Campinas” diz–se Innocente – Mulheres temiveis acompanham os bandidos
Noticiamos hontem a chegada a esta capital do bandido José Soares Santos vulgo Campinas um dos componentes do grupo de facinoras chefiados por “Lampeão.” O caibra, que se acha recolhido ao xadrez da Piedade, nega haver praticado qualquer atrocidade no decorrer da sua malsinada carreira de bandoleiro do nordeste. É o que dizem todos elles de resto, ao cahirem nas malhas da policia. “Campinas” diz até que foi obrigado, sob ameaça d emorte, a acompanhar o grupo de malfeitores,,, Só por medo de ser sangrado por Lampeão é que resolveu a acompanhal–o.
As tres mulheres que integram o bando sinistro, segundo affirma José Soares dos Santos, são habeis amazonas e manejam o rifle com incrivel destreza. Algumas são tão crueis quanto os homens. Tomam parte nos assaltos e combates ao lado dos bandoleiros, – mostram–se tão destemerosas como elles.

Em janeiro de 1928, foi preso o cangaceiro “Campinas”, cujo nome era José Soares Santos . Através dele, a polícia conseguiu algumas informações de interesse para os estudiosos do Cangaço.
O cangaceiro foi preso como membro de uma pequeno subgrupo que incursionava pela Bahia, em missão de reconhecimento. Anunciava–se aí a intenção mais clara de Lampeão adentrar o território baiano. Isto forçou um reforço maior do quantitativo de policiais na fronteira
O grupo maior, liderado pelo próprio Lampeão, conforme apurado então, naquele momento, havia atravessado o Rio São Francisco, em incursões exploratórias primeiras, no Estado de Sergipe.
Outro ponto é que a composição deste grupo principal, dada como com "23 caibras". Nele figuravam, segundo a declaração do cangaceiro, “3 mulheres, bem armadas e municiadas”.
Conforme declaração no depoimento de “Campinas”: “As tres mulheres que integram o bando são habeis amazonas e manejam o rifle com incrivel destreza. Algumas são tão crueis quanto os homens. Tomam parte nos assaltos e combates ao lado dos bandoleiros, – mostram–se tão destemerosas como elles.”
Extraviado do seu subgrupo, foi aprisionado quando se aproximava do seu municipio natal, Paripiranga, na Bahia.
Conduzido à prisão, na secretaria de Segurança Pública, na Praça da Piedade, em Salvador, Bahia., a fim de minorar seus problemas, declarou ter entrado para o Cangaço obrigado e desertado quando pode. 
OBS.O uso da língua portuguesa no texto acima obebdece ao copiado a partir do texto original daquela época expresso no jornal referido. 

Fonte: SILVA FILHO, Rubens Antonio da. “O cangaceiro Campinas”, in: “Cangaço na Bahia” site: cangaconabahia.blogspot.com acessado em 13-07-2012, às 19h22min.



quinta-feira, 12 de julho de 2012

Paripiranga na História- Parte 3

  O CANGACEIRO VINTE E CINCO(membro do bando de Virgolino) É NATURAL DO MUNICÍPIO DE PARIPIRANGA NA BAHIA.SEU NOME DE BATISMO É JOSÉ ALVES DE MATOS.
                     CANGACEIROS  CORISCO E VINTE E CINCO

 


    Vinte e Cinco também estava em Angico, porém saiu antes para pegar umas armas e munições, escapando assim do tiroteio e hoje é funcionário público aposentado. Reside em Maceió, Alagoas.
    O pesquisador e escritor João de Sousa Lima manteve contato  com aquele que é um dos últimos cangaceiros ainda entre nós do bando de Virgolino que estavam em Angico,Poço Redondo,Sergipe, tendo escapado do fogo das volantes que vitimaram o capitão Virgolino, sua esposa Maria e mais 9 companheiros de Cangaço na madrugada chuvosa do dia 28 de julho de 1938.


JOÃO DE SOUSA LIMA E JOSÉ ALVES DE MATOS(JANEIRO DE 2011)



terça-feira, 10 de julho de 2012

Paripiranga na História-Parte 2

Eco do combate da "Fazenda Cajazeira"

   Um combate pouco conhecido e comentado, em termos de estudos do Cangaço, foi o Fogo da Fazenda Cajazeira, no Município de Cipó.
     Aqui, a demanda de um dos soldados sobreviventes, de vinculação dos seus ferimentos àquele combate, em um documento que repousa, atualmente, no Arquivo Público da Bahia.

 

 


P.M.E.B

Quartel em Paripiranga, 11 de Março de 1940.
Do soldado ANTONIO TEIXEIRA DA SILVA

Ao sr. Cel. Comandante da PM

ASSUNTO: – requer I.S.O.

ANTONIO TEIXEIRA DA SILVA, soldado do 4º B.C., adido ao D–NE., tendo sido acidentado no combate contra o grupo de “Lampeão”, havido na Fazenda Cajazeira, Município de Cipó, Estado da Bahia, no dia 11 de Agosto de 1932, quando fazia parte da “Coluna Tenente Ladislau”, que operava no Nordéste do Estado, vem, mui respeitosamente, a bem dos seus interesses, solicitar–vos um Inquerito Sanitario de Origem.
Termos em que espera e PEDE DEFERIMENTO.



Fonte: SILVA FILHO, Rubens Antonio da. “Eco do
combate da "Fazenda Maranduba”, in: “Cangaço na Bahia” site: cangaconabahia.blogspot.com acessado em 10-07-2012, às 20:14 h


sábado, 7 de julho de 2012

Paripiranga na História - Parte 1

Eco do combate da "Fazenda Maranduba"

Um dos combates referenciais do Cangaço foi o Fogo da Fazenda Maranduba.Os militares e jagunços aliados foram duramente fustigados. Aqui, a demanda de um dos soldados sobreviventes, de vinculação dos seus ferimentos àquele combate, em um documento que repousa, atualmente, no Arquivo Público da Bahia.



Transcrição:

TESOURO DO ESTADO DA BAHIA

P.M.E.B

Quartel em Paripiranga, 8 de Março de 1940.
Do soldado 2898 ANTONIO TEODORO CHAVES

Ao sr. Cel. Comandante da PM

ASSUNTO: – requer I.S.O.

Tendo sido baleado no combate contra o grupo de “Lampeão”, no dia 9 de Janeiro de 1932, quando fazia parte da “Col.Ten. Liberato” comandada pelo Sr. Cap. do E.N. Liberato de Carvalho, na fazenda “Maranduba”, Municipio de Poço Redondo, Estado de Sergipe, venho de solicitar–vos um Inquerito Sanitario de Origem, a bem dos meus direitos. Nestes têrmos, pede deferimento.

Fonte: SILVA FILHO, Rubens Antonio da. “Eco do combate da "Fazenda Maranduba”, in: “Cangaço na Bahia” site: cangaconabahia.blogspot.com acessado em 07-07-2012 às 17:57 h.





 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

TRADIÇÃO X HISTÓRIA? UM ANTAGONISMO PRESENTE ATÉ NAS NOSSAS FESTAS.

                     
            Quando nos debatemos sobre nossa história vemos que muitas ações diárias são o reflexo da tradição e da memória passadas de geração para geração pelo costume e pela obrigatoriedade. Sendo o estudo da história uma interpretação a partir do pedestal onde estejamos não é certeza que os fatos só tenham um lado como seu dono                                                  
e propulsor.
     1-Conselheirista preso por soldados do Exército: alguma diferença?                  
                                          
     Quando os nossos estudantes analisam o Cangaço e  Canudos lá pelo 9º ano do Ensino Fundamental, logo indagam que tais movimentos foram feitos sem respaldo social, pois foram repugnados e exterminados pelo poder instalado nesses tempos anteriores. Entendem que o Cangaço foi um movimento sem elos e que se tratava somente de arruaceiros e bandidos da pior espécie (ESSE TERRÍVEL ASPECTO EXISTE, MAS OUTROS TAMBÉM PRECISAM SER ESTUDADOS). Entendem também que Canudos foi um movimento programado por um homem metido a profeta do sertão que dizia que o sertão iria virar mar. Para quem estuda, pesquisa, lê e vive motivado pela história, isso pode PROVOCAR um mal-estar muito grande, visto que história sempre foi feita para ser debatida em busca de uma melhor interpretação.
 
2-Sobreviventes do massacre de Canudos. 
    
   Espanta ver também que os mesmos jovens que negam uma história sua como o Cangaço e Canudos, nesses tempos juninos se trajam de cangaceiros (as) e de sertanejos (as) que ao primeiro lance nos mostram seu brilho nos olhos e sua satisfação em serem nordestinos,sertanejos e caatingueiros. Seria então uma jogada de marketing de quem tenta apenas querer se mostrar como nordestino, mas que nega por várias razões suas raízes tão profundas porque aprenderam desde cedo que tais movimentos foram negativos por natureza. Negar sua origem e seu passado é a primeira forma de se tornar refém de seu presente e das ideias colonizadoras tão presentes em nossa região.
     Como podemos nos trajar daquilo que rejeitamos? Como podemos comemorar algo que nós não somos tão afeiçoados? Existiria neste caso, uma inconsciência coletiva?
   
  3-Foto que possivelmente fora tirada em Jeremoabo(BA).
  Acredito que a resposta a essas questões possa estar na forma como foram passados esses movimentos para o nosso inconsciente, ou seja, o senso comum nega-os, mas se apropria dos mesmos para torná-los enfeites nesses tempos juninos. A sorte foi que ícones do Nordeste do Brasil como Gonzagão, Marinês, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Alcymar Monteiro, Patativa do Assaré,entre tantos, mantiveram esses aspectos como algo vivo em seu caminhar pelo país. A história dá espaço para todos(as), mas não convive pacificamente com a falta de memória, mesmo sabendo que muitos são vítimas de uma perda de memória tão acentuada.
    E aí é que entra o positivo esforço para segurar esse testamento cultural que só foi efetivamente garantido por causa daqueles esquecidos no sertão (também esquecido) que continuam queimando sua fogueirinha, louvando os seus santos juninos e gostando sempre das coisas que o sertão e seus “donos” impõem, mas que, mesmo assim, os sertanejos continuam a resistir e a reinventar suas vidas caatingadas com todas as suas forças e sua incansável fé em Deus.
 
  
   4-Virgolino e seus familiares.

Autor:Thomaz Araújo

domingo, 24 de junho de 2012

PASMEM, POÇO REDONDO EXISTE!

PASMEM, POÇO REDONDO EXISTE!


Rangel Alves da Costa*

Os mais velhos diziam e todos os relatos históricos confirmam que nas longínquas brenhas do sertão sergipano, no mais escaldante recanto do semi-árido de meu Deus, por entre serras, na vastidão dos mandacarus e xique-xiques, bem nas ribanceiras do Velho Chico, um dia surgiu um andante, depois mais um e mais um, que fixando-se no lugar construíram as primeiras moradias daquele ermo distante, que foi fazenda, vilarejo, povoado e mais tarde cidade. A esse lugar deram o nome de Poço Redondo, como referência a uma grande cacimba existente no leito do riacho Jacaré – que circunda a cidade -, onde os vaqueiros iam saciar a sede dos animais. “Onde vai cumpade?”, e o outro respondia: “Vou lá no poço redondo dar água ao gado”. E assim ficou: Poço Redondo.
Através da Lei estadual nº 525-A, de 23 de novembro de 1953, Poço Redondo foi desmembrado do município de Porto da Folha e passou à categoria de cidade, sendo termo judiciário da comarca de Gararu. A efetiva instalação do município ocorreu em 6 de fevereiro de 1956, com a posse do prefeito eleito no pleito de 3 de outubro de 1954, Artur Moreira de Sá, e cinco membros da Câmara de Vereadores. Assim, depois de muitas lutas de suas lideranças políticas, a localidade passou a ser regida pela Lei Orgânica dos Municípios e pôde reivindicar dos poderes federais e estaduais as melhorias necessárias para sua gente profundamente sofrida.
Com o passar dos anos e a evolução da municipalidade brasileira, mesmo assim Poço Redondo continuou com “aquele ar de antigamente”, mínimo desenvolvimento estrutural e o contínuo sofrimento do seu povo com a seca impiedosa. Não obstante tais aspectos, o município possui características que não podem deixar de ser observadas.
Geograficamente, é o maior município do estado, com 1.212 km²; no seu chão está localizado o ponto mais elevado de Sergipe, que á Serra Negra (Serra da Guia), com 742 m; de sua terra brota a nascente do rio Sergipe, na Serra Negra; é o 11º município sergipano em números populacionais, com 29.879 hab. e o 17º em termos eleitorais, com 16.390 eleitores; conta com o maior número de assentados do MST em Sergipe; foi cenário, em 1975 e 1976, respectivamente, dos cinedocumentários para o Globo Repórter “O Último Dia de Lampião” (de Maurice Capovilla) e “A Mulher no Cangaço” (de Hermano Penna) e do premiado filme “Sargento Getúlio” (em 1985, de Hermano Penna); foi o município nordestino que mais contribuiu com cangaceiros para o bando de Lampião, num total de 23 poço-redondenses, entre homens e mulheres; e foi em suas margens ribeirinhas, na Gruta do Angico, que Lampião e Maria Bonita, juntamente com mais nove cangaceiros, foram massacrados pela volante alagoana em 28 de julho de 1938, pondo fim ao ciclo do cangaço organizado.
Como observado, por mais que autoridades governamentais, estudiosos e pesquisadores, magistrados, jornalistas e todos “aqueles estranhos ao mundo sertanejo” tentem ou queiram menosprezar a terra e o seu povo, verdade é que Poço Redondo possui história, geografia, economia, atratividade turística e, o que é mais importante, dignidade na humildade, dignidade na luta e dignidade no caráter de sua gente.
Alertar sobre isso é uma necessidade imperiosa, vez que, como dito acima, o município quase sempre é esquecido pelas autoridades constituídas e por aqueles que formam a opinião pública. Somente nas tragédias e nas calamidades é que se torna alvo das políticas assistencialistas (no pior sentido da expressão) governamentais ou ganha volumoso e sensacionalista espaço na mídia. Quem não se lembra, por exemplo, do ônibus que incendiou e explodiu na pista que leva ao povoado de Santa Rosa do Ermírio, matando mais de vinte pessoas; da ponte sendo destruída pelas águas do riacho Jacaré, causando mortes ao longo do seu leito; da garotinha da Barra da Onça, bonita e de aspecto triste, da fotografia de Sebastião Salgado; da mãe de família chorando porque não tinha água nem alimentos para dar aos filhos; da farsa montada para mostrar pessoas comendo palma numa dessas estiagens passadas; enfim, da necessidade de mostrar que quanto pior melhor?
Outros fatos podem ser acrescentados para demonstrar o menosprezo e a falta de respeito pelo município e sua gente, fatos que de fininho saem do contexto local e alcançam vertentes muito mais amplas. Basta citar mais uns três ou quatro exemplos: frequentemente os repórteres das televisões afirmam que a Gruta do Angico está localizada no município de Canindé do São Francisco; Poço Redondo é o único município do estado que não possui uma rua sequer com seu nome em Aracaju, e isto é verdade que já foi comprovada pelos Correios; a localidade já sediou três agências bancárias (Banco do Brasil, do Nordeste e do Estado de Sergipe) e atualmente só conta com uma agência do BANESE, e mesmo assim com a negativa perspectiva de fechar suas portas; e, por último, o fato mais recente que se propagou, quando a presidência do Tribunal de Justiça do Estado queria por que queria extinguir a comarca do município (projeto neste sentido chegou a ser enviado ao legislativo estadual) sob a alegação de que o lugar é muito pobre, distante da capital, as carências são visíveis em todos os sentidos e os digníssimos magistrados em início de carreira simplesmente não querem trabalhar lá. Em síntese, o TJSE vê Poço Redondo como um estorvo, como uma ovelha negra que não necessita da tutela judiciária estatal. Discriminação, preconceito, aversão ao sertanejo.
Mas tudo bem, os sertanejos de Poço Redondo são suficientemente fortes para perdoar tudo isso. Eles só querem o que lhes cabe de direito; só almejam possuir o suficiente para viver com dignidade; só querem que os outros não queiram eliminar a felicidade construída no dia-a-dia, molhados de lágrimas, queimados de sol. Ademais, colhendo das palavras do Eclesiastes, os sertanejos sabem que para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: há tempo para plantar e tempo para colher; tempo para chorar e tempo para rir; tempo para viver com orgulho de ser tão sertão.
Poço onde bebi:

terça-feira, 29 de maio de 2012


“Ver o que é justo e não agir com justiça
é a maior das covardias humanas”
(Confúcio)

Juquinha era um menino muito ingênuo. Seus pais, muito religiosos, fizeram-no acreditar em tolos valores, como os de justiça, humanidade, amor e respeito ao próximo e, sobretudo, de que os homens, em essência eram todos bons e destinados ao Céu.

O menino foi crescendo, era magrinho, mirrado, mas seus olhos tinham um brilho especial, meigo, quase angelical. No primeiro dia na escola, Juquinha sentiu muita vergonha. Por falta de dinheiro, pois as posses da família eram modestíssimas, a mãe de Juquinha obrigou-o a usar um par de velhas sandálias havaianas. Até aí, nada de mais. Mas o problema era que, além de morrer de vergonha de andar com seus pés à mostra, Juquinha entrou em pânico mesmo ao ver que as alças de um de seus chinelos eram verdes, enquanto que as outras, do outro pé, eram azuis. Juquinha chorou, implorou à mãe para ir descalço à escola, mas ela, com o dedo em riste, proclamou: – “Meu filho, você não deve se envergonhar de nada nesta vida, principalmente de seus pais ou de sua condição social”.

 
Juquinha, aos sete anos, esconde os pés na grama para não mostrar os chinelos de cores diferentes
Juquinha, conformado e com lágrimas nos olhos, foi à luta, ou melhor, à escola. Lá chegando, passou a ser vítima de todo tipo de chacota. Um dos alunos, gordo e alto, com cara de poucos amigos, conhecido como ‘Bolo Fofo’ decidiu torturar Juquinha, dia a dia, mês a mês. Chutava a bunda do menino mirrado e sentenciava: “– Vacilão!”. Por azar, no mesmo dia em que teve de ir à escola com os tais chinelos de cores diferentes, a escola chamou um fotógrafo para registrar a turma. Juquinha enfiou então os seus pezinhos na grama, com intuito de esconder os chinelos, e a foto ficou assim registrada para sempre.
Pouco a pouco, Juquinha não era mais ele mesmo, era apenas o “Vacilão”. Um dia, após mais um dos tradicionais pés-na-bunda recebidos do grandão, o pai de Juquinha, vendo a cena de longe, ao passar pela rua ao lado da Escola, teve um surto colérico, pulou o muro e agarrou o tal ‘Bolo Fofo’, arrastando-o à diretoria.
A diretora, dona Olinda Pinto de Faria, uma senhora baixinha, enorme, de cabelos curtos e óculos pequenos e redondos, recebeu ‘Bolo Fofo’ em sua sala com especial prazer. Meu pai, satisfeito, saiu triunfante por ter defendido Juquinha, seu filho! Era feinho, mirrado, covarde, mas era seu filho! E ainda tinha aqueles olhos tão meigos, indefesos…
Dona Olinda era o terror da escola. Tinha a fama de arrancar as orelhas dos alunos mais espevitados e indisciplinados. ‘Bolo Fofo’ não fugiu à regra. Teve orelhas esfoladas e as mãos castigadas impiedosamente por uma palmatória. Sim, alunos podiam receber castigo físico naquela época em que não havia um tal de ‘Estatuto da Criança’, muito menos outra tal de ‘Constituição Cidadã’. Era o tempo da ditadura, do olho por olho, dente por dente.
‘Bolo Fofo’ nunca mais mexeu com o ‘Vacilão’. Juquinha ainda seria discriminado pelo fato de ter causado tanta dor e sofrimento ao colega que o torturava. Ao se aproximar de qualquer roda de alunos, recebia a repulsa de todos, que em coro gritavam: -  “– No nosso grupo não cabe Vacilão!”
Com o tempo, Juquinha cresceu e se tornou um cidadão comum, mas honrado. Ainda detesta a mentira e a calúnia, assim como seus pais, agora falecidos, o ensinaram. Juquinha se casou com dona Emília, mulher ímpar, de fibra; tiveram dois lindos filhos. Eles nunca se venderam ou atenderam ao ‘canto de sereia’ de gente falsa, que só faz saber bajular os poderosos para obter vantagens pessoais. Poderosos são assim, com a vaidade maior que o planeta. Adoram ser adulados por puxa-sacos de plantão, detestam ser contrariados. Quando alguém tenta lhes mostrar a realidade, ficam violentos, autoritários, preferindo ser enganados e adulados por aqueles que os abandonarão imediatamente, tão logo caiam em desgraça.
Juquinha, o ‘Vacilão’ tem um propósito hoje de se calar, ao menos temporariamente, colocar uma pedra sobre os temas incômodos, sobre as injustiças que se praticam no mundo. De certa forma, contraria o que seus pais lhe ensinaram. Mas Juquinha está cansado de matar um leão por dia, de falar sozinho numa terra em que muitos se calam por temor, comodismo, ou pior, por cumplicidade. Juquinha deve ser um grande ‘Vacilão’, mesmo. Caso contrário, jamais revelaria confidências pessoais para os internautas que caíram na armadilha de ler este texto tão incompreensível, mas sincero. Juquinha e sua esposa fizeram com que seus filhos recebessem a mesma educação que tiveram. Mas que ‘Vacilões’, não concordam?! Qualquer semelhança com fatos reais é uma maldita coincidência!

*Márcio Amendola

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