sábado, 21 de abril de 2012

A HISTÓRIA CONTADA A PARTIR DOS PEQUENOS

Normalmente a história contada para nós sempre vem de um relato oficial, ou seja, a verdade só está naquele que escreve num papel estatal ou coisas desse tipo. Imagino que antes da invenção da escrita nada era história, nada tinha valor, nada era considerado honestamente aceitável. A própria ideia de Estado nos propõe que apenas os mais fortes ou mais sábios poderiam de fato estabelecer a história como ela é. Não há veracidade na história se apenas uma parte ínfima da sociedade a faz e a registra. O poeta Bertolt Brecht nos fala em seu poema “Perguntas de um trabalhador que Lê”, que os grandes nada fizeram ao não ser que tenham poderes de super-heróis e tenham construído todas as obras que a notoriedade lhe tenha estabelecido. Enfim, quem comanda de fato a história é o conjunto da sociedade e seus interesses naquele momento. Não há como apenas creditar a meia dúzia de entendidos sábios que a vida esteja restrita aos saberes desses. Não há como dar crédito a isso. O poder institucional é uma força opressora, pois se vale do erário e das submissões impostas por um estado que se sustenta muito mais numa apartação social do que num desejo de unificar os ideais coletivos. O Estado é, por si próprio, um instrumento de repressão aos anseios da sociedade, pois as leis valem para manter o que está, ou seja, só há mudança para poucos iluminados. Não há segurança social numa sociedade que a toda hora é usurpada nos seus direitos fundamentais. Não há justiça social onde o conjunto tem que pagar pelas mazelas inventadas por poucos. Desta forma, qualquer pessoa que questione ou proponha mudanças na estrutura social, sofrerá as perseguições implacáveis dos donos do poder. Assim foi o que aconteceu com muitas pessoas que desafiaram as velhas formas de se fazer história. A história está aí para nos mostrar como Canudos, aqui na Bahia, foi um exemplo ímpar de que sua memória tenta ser apagada ainda hoje, pois até nas academias ainda há o preconceito acirrado sobre a movimentação dos oprimidos contra aqueles que tornaram o sertão e sua caatinga ainda mais inóspitos e repugnantes. Mesmo o escritor Euclides da Cunha demonstra em seu livro e sendo do sul não exprime grande capacidade de entender o sertanejo em sua dura vida pelas caatingas. A interpretação que se faz oficialmente ainda trata somente de messianismos e fanatismos que conduziram ao fim do mundo naquelas veredas áridas. Se fosse assim, a igreja católica também deveria ser dizimada. Afinal, ela pregava um mundo melhor para as pessoas em outro plano. A versão oficial trucida a história porque se alimenta do ódio pessoal pelo povo que acorda bem cedo para manter a máquina funcionando. Um magote de aproveitadores que usam a boa fé das pessoas mais simples para manter seus privilégios e formar em seus marketings estatais algo que só a ficção pode confirmar. Isso nos mostra que os pequenos fazem sua história à margem do que possa parecer, mas não têm meios de torná-la um instrumento de contraponto aos desmandos da história oficial. Somente em documentários ou livros independentes que sugerem primeiro a polêmica e, logo após, a discussão sempre esquentada dos temas propostos. Ao ler este texto, o leitor talvez não dê muito valor porque aquele que o escreveu ainda é um mero cidadão sem muita importância, pois ainda vale a velha premissa “manda quem pode obedece quem tem juízo.” Infelizmente. Autor: Thomaz Araújo.

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