sexta-feira, 27 de julho de 2012

74 ANOS SEM O REI DA CAATINGA

   
    Em 28 de julho de 1938,em Angico, Poço Redondo, Sergipe, entrava  para a história aquele que seria o bandoleiro mais procurado do nordeste(talvez do Brasil) naquela época.
  Sinônimo de muito estudo e controvérsias,ele inspira poetas,cantadores,contadores,entusiastas,estudantes,professores e escritores a reverem sua saga que envolve um misto de ódio e amor,de historia sofrida e glória perante a iminência de sua tragédia anunciada.Tendo do seu lado no  seu derradeiro suspiro sua esposa que passou 8 anos pelas refregas e pelas persigas das volantes que também incomodavam muito o povo do sertão.
  Com um olho só enxergava o que a maioria dos generais de academia não conseguiam nem a meio metro.Astuto,inteligente,estrategista,marqueteiro pessoal,desconfiado,líder nato,bom de papo e de presença,buon vivant, foi à forra com seu estilo próprio.Um Bonaparte de couro na cabeça(até o Gonzagão se rendeu a sua forma própria de se trajar), e de traços ecléticos pelos bornais  e vestimentas postas é um dos mais instigantes sertanejos que ainda hoje geram discussões nas gentes dos Sertões de Euclides, de Conselheiro, do Padin Ciço, de Lua, de tantos Severinos e de todos nós que nascemos nesta aridez natural e humana que ainda gera injustiças de todas as ordens e tamanhos.
  Nesses 74 anos de sua passagem para o além,para além da desastrosa vida que a maioria vivia naquela época(e hoje ainda), e além de todas as humilhações que o povo do sertão vive( a seca de solidariedade e de responsabilidades perante a seca de água), o nosso Capitão Virgolino vai ser um eterno "coiteiro" dos nossos saberes e curiosidades sobre a caatinga,o messianismo, a canga e o cangaço e seus personagens tão plurais neste sertão de vidas secas e barrigas vazias,mas cheio de histórias e estórias muito mais singulares.

 Autor: Thomaz Araújo.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Paripiranga na História- Parte 5

24 de dezembro de 1938, no “Estado da Bahia”:.
MAIS DOIS ASSECLAS DO GRUPO DE LAMPEÃO ENTREGAM–SE Á POLICIA
Corisco, só depois de morto
Chegaram hontem, no trem de Sergipe, precisamente ás 17 horas e 50 minutos, mais dois bandidos pertencentes ao grupo de José sereno. escoltados por um cabo e dois soldados, os ex–cangaceiros saltaram na gare da Calçada, onde foram rodeados de curiosos, até que chegou o carro da policia e os conduziu para a Delegacia Auxiliar.

CAJAZEIRA E DIFFERENTE
Os bandidos chemam–se José Francisco dos Santos, mais conhecido pela alcunha de “Cajazeira” e Manoel Nascimento, mais conhecido pela alcunha de “Differente”, tendo se entregado á Policia Bahiana na serra Negra, perto do Estado de Sergipe. O primeiro tem apenas 21 annos de idade, e, segundo suas declarações, entrou para o bando em vista de ter sido perseguido pela policia de Sergipe, por causa da accusação de ser coiteiro.

A ILLUSÃO DO CANGAÇO

“Differente” entrou para o grupo de “Zé Bahiano”, contra 23 primaveras, tendo dois annos de cangaço e lutas. Quando Zé Bahiano foi victimado, elle passou para o bando de “José Sereno”, onde até o momento de se entregar continuou a sua vida de assassinios e assaltos.
Contou–nos tambem que começou a exercer esta vida após “Canario” tê–lo convidado para entrar no bando com promessas cheias de vantagens. Porém, agora – acrescentou – resolveu entregar–se pois o cangaço nada mais é do que uma vida de illusões e perseguições.

“CORISCO” SÓ DEPOIS DE MORTO

“Corisco”, o perigoso “Diabo Louro”, que promettera entregar–se, mudou de intenções. Tambem “Angelo Roque” outro temivel cangaceiro e chefe de 4 homens, pretendeu entregar–se, mas o “Diabo Louro” o convenceu do contrario – declarou “Cajazeira”, que fala como uma victrola no seu falar arrastado de sertanejo.

9 BANDIDOS APENAS
Dois grupos ainda perambulam pelos sertões bahiano e sergipano, um commandado pelo “Diabo Louro”, sendo composto de 4 homens e outro commandado por Angelo Roque, com 3 homens.

MUNIÇÃO DE SERGIPE

Continuando a falar, os bandoleiros declararam que recebiam toda a munição de Sergipe e que lá eram muito pouco perseguidos. Ao contrario se verificava no sertão bahiano, onde nós recebiamos tiros em todos os logares por onde passavamos. Demos poucos combates com a Policia Bahiana, mas foram combates que deixaram recordaçõe, pois nelles vimos abatidos innumeros dos nossos.

NOTAS SOLTAS

Os ex–cangaceiros entregaram–se ao sr. João Maria, irmão do Coronel Liberato de Mattos, o qual não se descuidou e logo ao seu irmão deus sciencia do facto. O coronel enviou uma escolta que os conduziu a esta Capital
Com a prisão destes dois bandidos, o cangaço soffreu mais um golpe que o fez diminuir a intensidade e actividade.

24 de dezembro de 1938, no “A Tarde”:
DESISTIRAM DO CANGAÇO


Pelo trem nocturno de Sergipe, chegaram, hontem, ás 17 horas e 53 minutos, á esta capital, os bandidos “Differente” e “Cajazeiras”, que se apresentaram á policia, em Paripiranga.



Fonte: SILVA FILHO, Rubens Antonio da. “4 de dezembro de 1938, no “Estado da Bahia”:”, in: “Cangaço na Bahia” site: http://cangaconabahia.blogspot.com.br
acessado em 19-07-2012, às 18h25m.



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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Paripiranga na História-Parte 4

 

 

7 de janeiro de 1928, no “A Tarde”:
TERIA DESERTADO MESMO DO BANDO SINISTRO?
UM ASSECLA DE LAMPEÃO, PRESO EM PARIPIRANGA E TRAZIDO Á CAPITAL.




   A horda de bandidos, chefiada por Virgolino Ferreira, continua a infestar a zona sertaneja que o temivel facinora escolheu para campo de suas operações.
Agora mesmo o bando sinistro se encontra no visinho Estado de Sergipe.
Compõe–se de 23 caibras chefiados pelo terrivel scelerado: 20 homens e 3 mulheres, bem armados e municiados.
Ultimamente um dos asseclas do grupo, o bandoleiro José Soares Santos vulgo “Campinas” entendeu de abandonar os companheiros de cangaço, fugindo – porque só fugindo podia desertar – com destino a Paripiranga, onde descoberto por agentes da Força Publica, foi preso e conduzido para esta capital. O bandido que se acha recolhido ao xadrez da Praça 13 de Maio, á disposição do chefe de Policia, declarou que fôra forçado, sob ameaça de morte, a seguir o grupo do faccinora deixando–os assum que poude fazel–o. Diz–se analphabeto e haver nascido no municipio de Paripiranga, antigo Patrocinio do Coité.

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8 de janeiro de 1928, no “A Tarde”:
O CANGAÇO NO NORDESTE
“Campinas” diz–se Innocente – Mulheres temiveis acompanham os bandidos
Noticiamos hontem a chegada a esta capital do bandido José Soares Santos vulgo Campinas um dos componentes do grupo de facinoras chefiados por “Lampeão.” O caibra, que se acha recolhido ao xadrez da Piedade, nega haver praticado qualquer atrocidade no decorrer da sua malsinada carreira de bandoleiro do nordeste. É o que dizem todos elles de resto, ao cahirem nas malhas da policia. “Campinas” diz até que foi obrigado, sob ameaça d emorte, a acompanhar o grupo de malfeitores,,, Só por medo de ser sangrado por Lampeão é que resolveu a acompanhal–o.
As tres mulheres que integram o bando sinistro, segundo affirma José Soares dos Santos, são habeis amazonas e manejam o rifle com incrivel destreza. Algumas são tão crueis quanto os homens. Tomam parte nos assaltos e combates ao lado dos bandoleiros, – mostram–se tão destemerosas como elles.

Em janeiro de 1928, foi preso o cangaceiro “Campinas”, cujo nome era José Soares Santos . Através dele, a polícia conseguiu algumas informações de interesse para os estudiosos do Cangaço.
O cangaceiro foi preso como membro de uma pequeno subgrupo que incursionava pela Bahia, em missão de reconhecimento. Anunciava–se aí a intenção mais clara de Lampeão adentrar o território baiano. Isto forçou um reforço maior do quantitativo de policiais na fronteira
O grupo maior, liderado pelo próprio Lampeão, conforme apurado então, naquele momento, havia atravessado o Rio São Francisco, em incursões exploratórias primeiras, no Estado de Sergipe.
Outro ponto é que a composição deste grupo principal, dada como com "23 caibras". Nele figuravam, segundo a declaração do cangaceiro, “3 mulheres, bem armadas e municiadas”.
Conforme declaração no depoimento de “Campinas”: “As tres mulheres que integram o bando são habeis amazonas e manejam o rifle com incrivel destreza. Algumas são tão crueis quanto os homens. Tomam parte nos assaltos e combates ao lado dos bandoleiros, – mostram–se tão destemerosas como elles.”
Extraviado do seu subgrupo, foi aprisionado quando se aproximava do seu municipio natal, Paripiranga, na Bahia.
Conduzido à prisão, na secretaria de Segurança Pública, na Praça da Piedade, em Salvador, Bahia., a fim de minorar seus problemas, declarou ter entrado para o Cangaço obrigado e desertado quando pode. 
OBS.O uso da língua portuguesa no texto acima obebdece ao copiado a partir do texto original daquela época expresso no jornal referido. 

Fonte: SILVA FILHO, Rubens Antonio da. “O cangaceiro Campinas”, in: “Cangaço na Bahia” site: cangaconabahia.blogspot.com acessado em 13-07-2012, às 19h22min.



quinta-feira, 12 de julho de 2012

Paripiranga na História- Parte 3

  O CANGACEIRO VINTE E CINCO(membro do bando de Virgolino) É NATURAL DO MUNICÍPIO DE PARIPIRANGA NA BAHIA.SEU NOME DE BATISMO É JOSÉ ALVES DE MATOS.
                     CANGACEIROS  CORISCO E VINTE E CINCO

 


    Vinte e Cinco também estava em Angico, porém saiu antes para pegar umas armas e munições, escapando assim do tiroteio e hoje é funcionário público aposentado. Reside em Maceió, Alagoas.
    O pesquisador e escritor João de Sousa Lima manteve contato  com aquele que é um dos últimos cangaceiros ainda entre nós do bando de Virgolino que estavam em Angico,Poço Redondo,Sergipe, tendo escapado do fogo das volantes que vitimaram o capitão Virgolino, sua esposa Maria e mais 9 companheiros de Cangaço na madrugada chuvosa do dia 28 de julho de 1938.


JOÃO DE SOUSA LIMA E JOSÉ ALVES DE MATOS(JANEIRO DE 2011)



terça-feira, 10 de julho de 2012

Paripiranga na História-Parte 2

Eco do combate da "Fazenda Cajazeira"

   Um combate pouco conhecido e comentado, em termos de estudos do Cangaço, foi o Fogo da Fazenda Cajazeira, no Município de Cipó.
     Aqui, a demanda de um dos soldados sobreviventes, de vinculação dos seus ferimentos àquele combate, em um documento que repousa, atualmente, no Arquivo Público da Bahia.

 

 


P.M.E.B

Quartel em Paripiranga, 11 de Março de 1940.
Do soldado ANTONIO TEIXEIRA DA SILVA

Ao sr. Cel. Comandante da PM

ASSUNTO: – requer I.S.O.

ANTONIO TEIXEIRA DA SILVA, soldado do 4º B.C., adido ao D–NE., tendo sido acidentado no combate contra o grupo de “Lampeão”, havido na Fazenda Cajazeira, Município de Cipó, Estado da Bahia, no dia 11 de Agosto de 1932, quando fazia parte da “Coluna Tenente Ladislau”, que operava no Nordéste do Estado, vem, mui respeitosamente, a bem dos seus interesses, solicitar–vos um Inquerito Sanitario de Origem.
Termos em que espera e PEDE DEFERIMENTO.



Fonte: SILVA FILHO, Rubens Antonio da. “Eco do
combate da "Fazenda Maranduba”, in: “Cangaço na Bahia” site: cangaconabahia.blogspot.com acessado em 10-07-2012, às 20:14 h


sábado, 7 de julho de 2012

Paripiranga na História - Parte 1

Eco do combate da "Fazenda Maranduba"

Um dos combates referenciais do Cangaço foi o Fogo da Fazenda Maranduba.Os militares e jagunços aliados foram duramente fustigados. Aqui, a demanda de um dos soldados sobreviventes, de vinculação dos seus ferimentos àquele combate, em um documento que repousa, atualmente, no Arquivo Público da Bahia.



Transcrição:

TESOURO DO ESTADO DA BAHIA

P.M.E.B

Quartel em Paripiranga, 8 de Março de 1940.
Do soldado 2898 ANTONIO TEODORO CHAVES

Ao sr. Cel. Comandante da PM

ASSUNTO: – requer I.S.O.

Tendo sido baleado no combate contra o grupo de “Lampeão”, no dia 9 de Janeiro de 1932, quando fazia parte da “Col.Ten. Liberato” comandada pelo Sr. Cap. do E.N. Liberato de Carvalho, na fazenda “Maranduba”, Municipio de Poço Redondo, Estado de Sergipe, venho de solicitar–vos um Inquerito Sanitario de Origem, a bem dos meus direitos. Nestes têrmos, pede deferimento.

Fonte: SILVA FILHO, Rubens Antonio da. “Eco do combate da "Fazenda Maranduba”, in: “Cangaço na Bahia” site: cangaconabahia.blogspot.com acessado em 07-07-2012 às 17:57 h.