sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Paripiranga na História - 8 - O cangaceiro Saracura.


                          Cada vez mais descobrem-se pessoas e fatos que elevam Paripiranga à  categoria de palco de uma das páginas mais estudadas e dolorosas do Brasil Contemporâneo: O Cangaço.
    
     Desta vez, a surpresa veio por conta de uma conversa com um amigo que também pesquisa a nossa História e que revelara através de relatos orais de pessoas que viveram nas décadas de 1920 e 1930. Catando informações aqui e ali, ficou constatado que Paripiranga foi um pequeno celeiro dos cabras de Virgolino e dos seus subgrupos aqui de passagem, além de ser também referência  de algumas pessoas que davam apoios chamados pelas volantes de coiteiros.
     Um desses personagens foi o natural de Paripiranga de nome Benício Alves dos Santos que recebeu a alcunha de Saracura. Nascido na região chamada de Curral, perto da comunidade Maritá, divisa com os  municípios de Carira e Pinhão no estado de Sergipe.
     Em entrevista ao jornalista  Joel Silveira em 1944, na Penitenciária de Salvador(BA), Saracura conta como entrou para o bando de Virgolino e depois seguiu com Angelo Roque, o Labareda, que continuou juntamente com Corisco a tarefa de manter viva a chama do Cangaço após o passamento de Lampião em 1938.
       
 Veja a seguir, um trecho desta conversa interessante com alguns cangaceiros sobrevieventes:

O próprio Saracura parece, agora, sair do seu sono triste. Pede a palavra e conta:
-"Posso falar do meu caso. Peguei na espingarda quase obrigado, para mim vingar das misérias que fizeram com meu pai. Um dia, no Coité, uma volante invadiu o nosso sítio. Queriam á força que meu pai desse notícia dos cangaceiros, como se ele fosse um coiteiro. O velho não sabia de nada, e então os "macacos" começaram a supliciar o pobre: arrancaram as barbas dele, fio a fio, arrancaram suas unhas com alicate; se o senhor pensar que estou mentindo, vá lá no Coité e procure André Paulo Nascimento, que mora nas redondezas. É o meu pai. Ele dirá ao senhor se estou ou não falando a verdade. Ele mostrará ao senhor o estado em que ficaram seus dedos. E eu próprio, antes de pegar na espingarda, fui um dia violentamente espancado na Fazenda Curral, perto do Coité. Os "macacos" haviam dito que eu era coiteiro, mas na verdade é que, até então, eu nunca vira um bandido na minha vida ".
Saracura me revela mais que é casado e tem três filhos, que de vez em quando o visitam.

   O termo dito pelo cangaceiro Saracura que relaciona Coité como sua terra está correto, pois Paripiranga antes chamava-se de Patrocinio do Coité. Como está contida na seguinte informação tirada no WIKIPÉDIA:

Nos seus primórdios, a povoação de Malhada Vermelha foi premiada pelo cidadão José Antônio de Menezes, que construiu uma capela sob a invocação de Nossa Senhora do Patrocínio, filiada à Freguesia de Nossa Senhora do Bom Conselho dos Montes do Boqueirão. A dita capela foi elevada à categoria de freguesia pela Lei Provincial 1 168, de 22 de maio de 1871, com o nome de Nossa Senhora do Patrocínio do Coité.
Foi o Arraial de Patrocínio de Coité elevado à categoria de vila pela Lei Provincial 2 553, de 1 de maio de 1886, que criou o município de Patrocínio de Coité, com território desmembrado do de Bom Conselho (atual Cicero Dantas), que se instalou a 1 de fevereiro de 1888. Pelo Decreto Estadual 7 341, de 30 de março de 1931, o município teve o seu nome mudado para Paripiranga.


       Acompanhe o vídeo abaixo que mostra relatos de Saracura, Angelo Roque, tenente Zé Rufino e imagens do bando de Virgolino.







 Entrevista de Joel Silveira integra o livro "Tempo de Contar" (Editora Record, 1986).