domingo, 13 de outubro de 2013

ENTREGA DE CANGACEIROS EM 1940-PARIPIRANGA FEZ PARTE DESTA HISTÓRIA.

ÂNGELO ROQUE(LABAREDA) E SEU BANDO EM SALVADOR-BAHIA-1940

Salvo melhor juízo... Identificando:


        À frente, à esquerda, Saracura (Benicio Alves dos Santos), tendo atrás sua companheira Flauzina (Flauzina Alves de Lima); A menina à frente de Saracura é Maria Eunice, filha de Flauzina com o cangaceiro “Zezé”, então já falecido.
      Centro esquerda Patativa (Antonio Pedro da Silva), tendo atrás Zephinha (Josepha Maria de Jesus).
      No centro atrás Deus–te–guie (Domingos Gregorio dos Santos).
      Na frente, no centro, Labareda (Ângelo Roque dos Santos), tendo à direita atrás, ao lado de Deus–te– guie, e sua companheira Ozana (Anna da Conceição).
      À direita, Jandaia, (Manoel Raymundo da Silva) com Josepha (Josepha Maria da Conceição) atrás, na extrema direita de pé.
      
    Esta foto foi batida em abril de 1940, na Sede da Secretaria de Segurança, em Salvador, Bahia.Os cangaceiros haviam se entregado antes, em Paripiranga. Deslocaram-se para Salvador, em trem, acompanhados de militares. Então, na Secretaria, em cerimônia para a imprensa, re-aparataram-se e posaram para esta foto.

  
   Fonte: SILVA FILHO, Rubens Antonio da. 
http://cangaconabahia.blogspot.com.br/2013/07/entrega-de-cangaceiros-1940.html”, in: “Cangaço na Bahia” site: cangaconabahia.blogspot.com acessado em 12-10-2013.


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Paripiranga na História-10- A última das entregas?

Paripiranga na história-10-
A última das entregas?
FOTOGRAFIA GENTILMENTE CEDIDA POR IVANILDO SILVEIRA AO BLOG LAMPIÃO ACESO EM 16-04-2013
       
       A foto acima, tirada em 1940, na casa do senhor Bernardino Barbosa, hoje localizada à Rua Padre Vicente Valentim, no centro da cidade de Paripiranga, na Bahia, em que retrata um grupo de cangaceiros(Ângelo Roque, Saracura, Deus-te-Guie, Jandaia/Laranjeira? e Patativa)  com  suas esposas e proles aparecendo em momento histórico, já que os membros do grupo comandado por Ângelo Roque(Labareda) seriam, em tese, os últimos cabras de Virgolino a se entregarem ou abandonarem a vida nômade do cangaço pelos sertões nordestinos.
      Vale também ressaltar que, entre os mesmos, encontra-se o natural de Paripiranga, nascido na fazenda Curral, o também cangaceiro Benício Alves dos Santos, vulgo Saracura, que participou do bando de Lampião e dos subgrupos de Zé sereno e Labareda. Este mesmo saracura enfrentou um dos mais ferozes inimigos de Virgolino: o nazareno Odilon Flor. Em vídeo postado na net podemos ver o mesmo, agora ex-cangaceiro Saracura, falando um pouquinho sobre suas aventuras e do grande choque ao bater de frente com Odilon Flor. Na comunidade Barreiras(hoje abandonada e com quase nenhum resquício de sua existência, pois segundo alguns antigos moradores sofria permanentemente ataques de cangaceiros), localizada perto da estrada entre o povoado Maritá e a divisa entre Paripiranga e Pinhão(SE), Odilon ficou montando guarda e, foi aí que, Virgolino aproveitou-se da ira pelo qual ele e o nazareno nutriam um contra o outro, para insuflá-lo para a disputa de  um combate feroz no qual quase toda a volante do nazareno foi submetida a uma emboscada construída perniciosamente por Lampião. Felizmente, Odilon Flor soube ser estratégico e valente o suficiente para afugentar o subgrupo de Labareda e escapar mais uma vez das garras de seus mais ferozes desafetos.
      Segundo relatos de pesquisadores, Odilon Flor  formou uma  das tropas volantes mais destemidas do tempo do cangaço que passaram pelo Nordeste baiano. Seus comandados eram sertanejos calejados e sobreviventes de opressões de todos os tipos. Odilon fazia suas escolhas de tropa observando as origens dos futuros soldados. Caso o sertanejo fosse vaqueiro, já teria lugar cativo no grupo, pois Odilon Flor sabia que, somente sertanejos poderiam ser combatidos pelos próprios sertanejos, ou seja, só conhecendo como pensa e age o homem é que o outro pode atuar no intuito de dominá-lo. Cidades como Santo Antonio da Glória(Hoje Nova Glória), Jeremoabo, Bebedouro(hoje Coronel João Sá) e Paripiranga foram alguns dos  locais de escolhas de novos  volantes. Isso é importante, pois revela que muito ainda se tem a contar sobre a participação dos paripiranguenses nas duas partes envolvidas  no cangaço  que é um tema que ainda causa muitos tabus, excessivo senso comum e impede que mais pessoas possam ter seus nomes imortalizados nessa página complexa da história da  Brasil. Odilon Flor foi um singular comandante, pois desenvolvera uma verdadeira tropa de elite dentro das volantes. Sob suas ordens, Zé Rufino também aprendeu a lidar com os facínoras e passou para a história como um dos comandantes mais importantes no combate ao banditismo organizado  no sertão naquela época. Este último recebeu os louros da vitória sobre a busca de Corisco e sua esposa Dadá em maio de 1940 no sertão baiano, quando o Diabo Loiro tentou fugir para Goiás em busca de uma paz que jamais teria. Aliás, o Diabo Loiro foi ferido nos braços em local que alguns pesquisadores acreditam pertencer a Paripiranga ou a Pinhão. E esse fato, que  aconteceu provavelmente em 1939, fez o assecla desistir da vida errante e procurar novas paragens.
     E a foto em destaque: Terá sido ela o registro da última  das entregas de membros do cangaço,ainda soltos pelas caatingas entre a Bahia e Sergipe no começo da década de 40 do século passado? Em que data(dia e mês) foi feita esta foto? Paripiranga teria sido o local da última entrega de cangaceiros da História? De que forma se deu a referida entrega e qual o papel das autoridades locais daquela época  no intuito de contribuir para o fim dos resquícios do cangaço na Bahia e em Sergipe?Por que os cangaceiros liderados por Ângelo Roque(Labareda) entregaram-se em nossa cidade e não em outra localidade sertaneja?
     Para aqueles e aquelas que têm possíveis respostas sobre essas indagações, peço encarecidamente que deixem seus comentários, para que possamos aumentar mais ainda o debate sobre tantas informações que precisam vir à luz na procura incansável pelo saber construído historicamente e, desta forma, tornar a vivência sertaneja incluída  realmente como ponto de referência na história do Brasil.

Fontes:

       


domingo, 10 de março de 2013

Paripiranga na história 9 - Dadá esteve por aqui.

Dadá(à direita) era uma excelente estilista do Cangaço.
 fonte: http://www.bcc.org.br/fotos/galeria/018165


     Em mais uma entrevista exclusiva, o escritor e pesquisador João de Sousa Lima, encontrou o ex-volante e hoje sargento Gérson Pionório Freire, aposentado da PM-BA, morador de Paulo Afonso e com 97 anos bem vividos e, tendo seu nome, marcado nas páginas da história das refregas do Estado contra o Cangaço movido a todo vapor por Virgolino, vulgo Lampião, principalmente nas décadas de 20 e 30 do século XX na Bahia e em Sergipe.
 Sendo este senhor nonagenário, volante integrante dos mais temidos comandantes que farejavam a todo momento os rastros dos facínoras e,sendo que,os mesmos militares também fizeram pousada em Paripiranga : José Osório de Farias(Zé Rufino) e Odilon Nogueira  Souza  (Odilon Flor). Dois pernambucanos, contratados a serviço do Governo da Bahia, no combate ao Cangaço, sendo os mesmos temidos pelo próprio Virgolino.

   Nesse ínterim, veio à luz mais uma entre tantas informações sobre a presença de volantes e cangaceiros em Paripiranga, além de que, dos 3 últimos integrantes do grupo de Virgolino entre nós, um deles é natural de Paripiranga(José Alves de matos-Vinte e Cinco), confirmou-se a estadia no quartel local da musa do Cangaço, Sérgia Ribeiro da Silva (Dadá), esposa de Cristino Gomes da Silva Cleto (Corisco), após este ser morto pela volante de Zé Rufino em maio de 1940. Dadá morou por alguns anos na mesma cidade do comandante Zé Rufino (seria coincidência?), após ser levada de Paripiranga para Jeremoabo. Se recebesse indulto ainda em Paripiranga, quem sabe, poderia ter passado algum tempo em liberdade em terras do antigo COITÉ e sua biografia registraria este fato após a vida no Cangaço.   

  Por causa da necessidade de se retirarem os cangaceiros e as cangaceiras das áreas de sua atuação na Bahia e Sergipe, alguns dos capturados ou vindos das entregas feitas por essas bandas, passavam por Paripiranga, no intuito de serem conduzidos para a estação ferroviária de Salgado, em Sergipe, para seguirem viagem em direção a Salvador via trem da Leste Brasileira.
  O texto de João de Sousa Lima mostra fatos interessantes sobre as refregas entre volantes e cangaceiros que resultaram numa das páginas mais doloridas do Brasil e do Nordeste. Paripiranga também fez parte desse momento.


No dia 28 de julho completará 75 anos da morte de Lampião, as pessoas envolvidas diretamente na história do cangaço e que ainda se encontram vivas estão beirando os 100 anos de idade. É muito difícil encontrar remanescentes daquela época em se tratando de cangaceiros ou os que lutaram em nome da ordem pública como soldados efetivos ou contratados. Encontramos só três cangaceiros vivos e soldados da volante em torno de doze. Coiteiros e pessoas que conheceram alguns cangaceiros ainda existem uma grande quantidade.                                   
Em Paulo Afonso vive Gérson Pionório Freire, filho de João Miguel Freire e Isabel Pionório Freire. O pai de Gérson nasceu nas barrancas do Riacho do Navio e sua mãe em Chorrochó, Bahia. Gérson nasceu no dia 20 de janeiro de 1916, em Curaçá, Bahia. Ele é um dos poucos militares que matou cangaceiros.
O Primeiro contato de Gérson com os cangaceiros foi quando Lampião passou com seu grupo na fazenda Guarani, em Curaçá. A fazenda pertencia ao pai de Gérson, o senhor João Miguel. No momento estavam o pai, a mãe, Gérson, Abdias, Ulisses e Elza. Os cangaceiros solicitaram dinheiro, ouro, sal e animais. O ouro estava em um cupinzeiro que existia em uma das paredes e os cangaceiros não encontraram. Pegaram cinco contos de réis que estavam no bolso de João Miguel, um cavalo, um burro e sete jegues.
 Lampião olhou pra Gérson e disse:
- Menino venha cá, pise aqui esse sal!
 Gérson pisou o sal e entregou a Lampião. O cangaceiro começou a colocar o sal com uma colherinha de chá em um pequeno cumbuco de coco que o orifício de entrada era apertado e o sal caia fora do recipiente em sua maior parte. Gérson pegou um livro, arrancou uma página, fez um funil e colocou o sal no cumbuco. Lampião observando a inteligência do rapaz falou:
- É morrendo e aprendendo!
 Desde esse episódio do primeiro encontro de Lampião, alguns anos se passaram e Gérson resolveu ser policial, sendo apadrinhado do capitão Menezes. No dia 04 de maio de 1936, na cidade de Jeremoabo, Gérson e seus irmãos Abdias e Ulisses entraram na volante de Antônio Inácio como contratado. Gérson passou a ser efetivo da polícia no dia 10 de outubro de 1940.
 Gérson  destacou como soldado nas cidades de Jeremoabo, Canindé, Canudos (foi delegado), Pilão Arcado, Sento Sé, Remanso, Sobradinho, Casa Nova, Senhor do Bonfim, Juazeiro, Napele, Tucano, Calda de Cipó, Urucé, Itabuna, Canavieiras, Camacã, Jacareci (foi delegado), Euclides da Cunha (foi comandante), e Cocorobó (foi delegado). Ele passou pelas volantes de Pedro Aprígio, Aníbal Vicente, Zé Rufino e Odilon Flor.
 Quando serviu com Odilon Flor, participou do combate onde foram mortos os cangaceiros Pé-de-Peba, Chofreu e Mariquinha. O combate aconteceu no Riacho do Negro, em Sergipe.
 A volante de Odilon Flor seguiu os rastros dos cangaceiros e próximo a cidade de Coité (hoje Paripiranga) chegaram na casa de um coiteiro. Os policiais cercaram a casa, no curral tinha uma janela e avistaram umas perneiras, roupas e garrafas de bebidas. Os policiais entraram na residência e perguntaram a mulher sobre os cangaceiros. O marido da mulher foi chegando e os soldados deram voz de prisão. Odilon Flor ordenou:
- Gérson vá mais Luiz pra trás da roça e mate esse coiteiro!
O coiteiro pra não morrer prometeu entregar os cangaceiros. A volante seguiu com o coiteiro nos rastros dos cangaceiros indo encontrá-los às onze horas da noite. O combate noturno travado entre 15 policiais e 08 cangaceiros foi ferrenho. Odilon Flor foi baleado nas nádegas, os cangaceiros tiveram uma baixa de 03 componentes do grupo. Os policiais cortaram as cabeças e ainda à noite as colocaram em um carro de boi e levaram até Paripiranga. Na cidade, a população pôde ver as cabeças de Pé-de-Peba, Chofreu e Mariquinha. Gérson passou a receber o soldo de sargento depois da morte dos cangaceiros.
Quando Zé Rufino matou Corisco e baleou Dadá, Gérson e seu irmão Abdias Pionório foram buscar Dadá em Paripiranga e a trouxeram pra Jeremoabo. Dormiram no Sítio do Quinto, revezando os dois irmãos a guarda da cangaceira baleada.
 A convivência de Gérson e Zé Rufino foi marcada por discussões. Zé Rufino descontava do soldo dos soldados pra pagar o que eles consumiam dos sertanejos e Zé Rufino ficava com o dinheiro.
O volante participou também da prisão do matador Peixoto, assassino que aterrorizou várias cidades baianas. O bandido Peixoto matou um rapaz em Santo Antônio da Glória e foi preso depois de uma longa perseguição. Peixoto fugiu da cadeia de Glória e foi se esconder em Sergipe, na cidade de Simão Dias, sob a proteção do fazendeiro Dorinha.
 Gérson, João Ribeiro, Gervásio Grande e mais alguns soldados foram a Simão Dias e prenderam Peixoto e o levaram para Paripiranga. De lá foram levar o preso pra Salvador. No trajeto, quando passavam em Boquim, um juiz de Direito se aproximou dos policiais e do detento e pediu aos soldados que soltassem o preso que ele era um coitadinho. João Ribeiro pegou um mamão e jogou no juiz. O mamão espatifou-se nos peitos do juiz sujando sua roupa de linho branco. O preso foi entregue em Salvador.
Gérson trabalhou um bom período para a família do político Nilo Coelho, vive há muito tempo em Paulo Afonso e é sargento reformado da polícia baiana. Lúcido, conta suas histórias e fala com saudades do tempo em que andava nas caatingas em perseguição aos cangaceiros. Guarda junto aos documentos algumas orações e um crucifixo que ele tem desde que entrou na polícia e acredita que só não morreu nos tiroteios por força dessas orações.






João de Sousa Lima
Historiador e Escritor

Membro da ALPA- Academia de Letras de Paulo Afonso
Sócio do GECC - Grupo de estudos do cangaço do Ceará

Paulo Afonso, Bahia, 07 de março de 2013.

http:www.joaodesousalima.com

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

ANTONIO CONSELHEIRO EM PARIPIRANGA


     Paripiranga também foi palco das andanças do beato Antonio Conselheiro. Veja a seguir a narrativa do ilustre e saudoso filho de Paripiranga, José de Carvalho Déda (Zeca Déda) sobre a passagem do beato cearense em Simão Dias e, logo em seguida, dirigindo-se a Patrocínio do Coité (hoje Paripiranga).

CAPÍTULO XII

Simão Dias e a Guerra de Canudos.

O Conselheiro passou despercebido.


     Quase que passou despercebida a presença de Antonio Conselheiro por Simão Dias.
   Foi brevíssima a estada, aqui, do estranho penitente que arrastaria o Exército Nacional a repetidos desastres nas caatingas de Canudos. O seu trajeto, pelas ruas da cidade, despertaria apenas, a curiosidade da meninada travessa, atraída pela grotesca indumentária e pelo aspecto de profeta do esquisito personagem.
   Estatura regular, tez morena queimada do sol, barbas longas e mal cuidadas, cabelos compridos e desgrenhados, caindo-lhe sobre os ombros, trajando folgado camisolão de zuarte azul, uma capanga a tiracolo contendo alguns livros, inclusive um exemplar de “Missão Abreviada”, um comprido bordão com o qual se defendia, resignadamente, dos cães vagabundos que o ameaçavam com encardidos pés,era Antonio Conselheiro,em carne e osso,andando pelas ruas de Simão Dias.
   O monge errante dirigiu-se à casa do Vigário, para comunicar-lhe a sua vontade de pregar uma rápida “missão”.
  O Pároco fitou o adventício da cabeça aos pés, fez-lhe algumas perguntas e, com energia, intimou-o a retirar-se de sua Paróquia.
  Debaixo de uma forte pateada da meninada irreverente, o penitente retirou-se cabisbaixo e resmungante, em direção ao oeste.
   Na passagem do Caiçá lavou as alpercatas para limpá-las da poeira da Cidade que houvera repelido, lançando sobre ela sua excomunhão de profeta agastado. Seguiu para a vizinha vila do Coité.
  Em Coité foi expulso pelo povo, sob o comando do próprio Vigário daquela Freguesia, retirando-se depois de bater a poeira de suas alpercatas e lançar terrível excomunhão à vila, indo pernoitar no Engenho “lagoa Salgada”, propriedade de João de Fraga Pimentel, onde pregou um sermão e leu trechos da “Missão Abreviada”.
   Dizem que ao sair das caatingas do Coité, já alguns adeptos fanáticos o acompanhavam,levando os seus toscos oratórios.
  Algum tempo depois, começaram a chegar as notícias das primeiras façanhas do estranho monge que passara quase despercebido em Simão Dias.

Fonte: Déda, José de Carvalho - 1898-1968 -História - Simão Dias, Fragmentos de sua história. Aracaju- Gráfica Editora J. Andrade, 2008-2ª edição.





sábado, 5 de janeiro de 2013

O EFEITO DA HISTÓRIA




O EFEITO DA HISTÓRIA
       

        Se o presente é uma dádiva e o futuro pertence a Deus. Então o que o passado pode representar?Uma dúvida que sempre impulsiona os que desejam reconstruir os fatos históricos que não podem ser apagados da memória coletiva. Mesmo assim, é notório que remontar a história que nos é próxima é a via crucis dos que buscam construir a casa que o tempo teima em descaracterizar.
     Percebe-se que o tema Cangaço ainda é revestido de tabus e senso comum que não permitem que mais fatos sejam pesquisados, trazendo mais riquezas sobre os desdobramentos que se deram na ação dos agentes deste marcante e complexo debate que se estabeleceu.
    Satanizar ou glorificar as ações ocorridas no Cangaço só nos faz mais pequenos e sem foco. Afinal, cangaceiros, coronéis, volantes e governantes tinham ações parecidas para obterem o que queriam. O sertão ganhou e perdeu com os mesmos, pois os governos gastaram muitos contos de réis e pessoas inocentes foram vítimas das duas partes (CANGACEIROS E VOLANTES) que se pareciam até nas vestimentas e nos apetrechos que exibiam nas fotografias e nas películas que sabiamente foram feitas.
   A pesquisa histórica de nossa gente traz à luz a necessidade de se valorizar o que é nosso para sentirmos parte da história da humanidade, além de gerar renda para os locais preservados, onde os fatos aconteceram. Prova disso é que Serra Talhada, Mossoró, Paulo Afonso, Jeremoabo, Piranhas, Poço Redondo, Frei Paulo, Nazaré do Pico, Queimadas, Pinhão, Porto da Folha e outros lugares são visitados e são palcos de eventos sobre o tema Cangaço e seus afins.
   Pelas parcas informações já obtidas, noto que Paripiranga tem algo a fornecer para a pesquisa histórica sobre a passagem e as andanças de Virgolino e seus pares nesta região. Mesmo sabendo que no meio acadêmico o Cangaço é visto com restrições e narizes empinados, a saga de Virgolino lhe trouxe a 2ª posição de latino americano mais estudado e biografado até os dias atuais.

   Estudar o cangaço é entender que sua maior fonte de pesquisa é o sertão e sua gente, que trazem em suas memórias as marcas, as cicatrizes e os conceitos construídos ontem e hoje sobre os movimentos cangaceirísticos. Esperamos que os frutos pequenos desta pesquisa particular e individual possam ser coletivizados para que este lugar antes Malhada Vermelha, Patrocínio do Coité e hoje Paripiranga venha a fazer parte do seleto grupo de locais que foram palcos das andanças e dos rastros deixados pelos cangaceiros na década de 30 do século XX.

  A maior recompensa que a pesquisa histórica pode nos trazer é o saber aprofundado de nossa própria história e a crença de todos somos agentes da história da humanidade.


   Se acaso você que leu este texto e pode nos acrescentar mais informações sobre a nossa pesquisa, deixe-nos um comentário e entraremos em contato. Quaisquer documentos, fotografias, depoimentos, relatos, lugares e nomes de pessoas que experimentaram o tempo do cangaço serão de grande valia.


FOTOGRAFIA CEDIDA GENTILMENTE POR MARCOS AURÉLIO CARREGOSA LIMA.