quinta-feira, 29 de maio de 2014

Nada muda mais que o passado.



        


    Vez por outra a História se vê necessitada em dar uma resposta à altura quando um fato histórico já sacramentado perante a opinião pública(ou senso comum) ganha novos ares e perturba quem já se conformou com tal versão. De fato, o passado foi feito para quem fica a bisbilhotar a história sempre. A maioria não está nem aí para o que já foi, pois como diz o ditado popular, anda-se pra frente. O passado sempre será revivido na ótica das pessoas apaixonadas pelo desejo de explicar o presente. Fato é que nem sempre há o acordo sobre determinado fato que não cicatriza, pois suas feridas são por demais profundas. 


 
Corisco e Dadá

    

    É nesta ótica que sempre se lembra também do cangaço, nosso fenômeno social e histórico, que a todo momento é recheado de novas perspectivas, nem sempre levadas a sério ou debatidas. Aqui e ali, vêem-se novas informações que remexem os solos já tão encharcados de saberes que criam um misto de perplexidade e espanto e que geram novas comunidades e assembléias para verificar a autenticidade dos fatos. Posto que seja uma espécie de ser com expressão própria, a história não se constitui como objeto de alguém ou de um grupo definido.As declarações das pessoas mais idosas é de suma importância e merecem total respeito para o entendimento 
mais crucial do cangaço há 76 anos atrás, onde Lampião e seu bando assustavam e faziam história.Elas são os olhos da história do cangaço.Parabéns a todos que entrevistam essas personagens históricas que não são lembradas nos livros didáticos. A história cabe na palma da mão e na mente é exercida com a devida obediência aos ditames de um grupo ou de uma ideologia. Claro que alguém ou algum setor precisa escrever a história. Aquele que escreve primeiro um fato leva a chama da razão em determinado evento. Porém, os revisionismos constantes mostram que alguém necessita de outra versão pra tal fato histórico. O cangaço está mais que remontado na cabeça dos sertanejos. Porém, sabe-se que uma visão apurada deste fato ainda é coisa para poucos que se debruçam a enxergar sob diversos ângulos aquilo que parece tão óbvio. As diversas modalidades em que o cangaço foi destacado refletem que, muito mais que noções, precisamos ver as partes para ir ao todo. Parece loucura, mas a verdade é que, quando as partes são deixadas de lado, o todo tende a ruir. Assim, o estudo de campo desenvolvido por algumas pessoas hoje e no passado, foi fundamental para entendermos o tema em questão muito além das ideologias importadas e das utopias tão propagadas. Tudo o que desejamos saber está do lado em que estamos localizados, porém, nada pode ser a única matriz do saber. Aquele que, com responsabilidade de historiador e de pesquisador, tende a buscar um fato e, assim, interpretá-lo com a consciência de que todo saber depende de onde estamos e como podemos usá-lo para os nossos reais interesses ou ideais. Uma história revista não indica necessariamente que uma versão seja menos merecedora de crédito, mas que, ao ser relatado um fato histórico, o tempo em que se deu ainda não dispunha de outros saberes para agregar valor de uma verdade mais consistente. Qualquer pessoa que se debruça sobre a história e se livra de muitos dos seus preconceitos, tende a entender que tudo pede uma nova chance de ser debatido com responsabilidade.  Num texto que fala sobre história, há a necessidade de que cada pessoa possa ter sua própria interpretação, sem necessariamente haver melhor ou pior. O que não se pode conceber é que uma leitura possa fugir do objeto de estudo. Extrapolar o texto e buscar novas variantes sem fugir ao conteúdo é de uma natureza esplêndida para aqueles que ousem reconstruir a história, em busca, quem sabe, de sua essência. Complicado não?! Pois é, cabe a todos em conjunto buscar uma ponte segura para atravessar do senso comum para a órbita do cientificamente aceito e discutido. Alguém um dia resolveu dizer que o saber que almejamos depende da janela em que queremos olhar o horizonte que nos desafia e nos envolve. Mas o mundo em que estamos inseridos é feito de janelas que apontam para variados ângulos. Quando não mantemos o coração conectado com o cérebro, tendemos a nos confundir e a confundir os nossos semelhantes.

 Foto: SILVA FILHO, Rubens Antonio da. “colorizando para melhor apreender”, in: “Cangaço na Bahia” site: cangaconabahia.blogspot.com acessado em 29-05-2014 às 18h.30. Blog Cangaço na Bahia.

Paulo Gastão entrevista seu Luiz  Cazuza :   http://www.youtube.com/watch?v=o5FyQmwFw20

http://www.youtube.com/watch?v=5nokJn45uP8

http://www.youtube.com/watch?v=b8JayyjTW6Y

http://www.youtube.com/watch?v=x8Y_E6NyXPc

http://www.youtube.com/watch?v=PvxsaLxFtAk


Nenhum comentário:

Postar um comentário