domingo, 15 de junho de 2014

PARIPIRANGA NA HISTÓRIA - O ADEUS A VINTE E CINCO

Morreu o último cangaceiro
 
Nos informou João de Sousa Lima











  
 Depois de Neco de Pautilia, a memória do cangaço perde mais um ícone. Faleceu hoje, 15 de junho, na capital alagoana José Alves de Matos o ex cangaceiro "25". Aos 97 anos de idade, Vinte e cinco era "oficialmente" o ultimo ex cangaceiro vivo. Dos remanescentes do cangaço "lampiônico" resta apenas Dulce que foi companheira do cangaceiro "Criança".

Aposentado como funcionário público estadual, ao longo dos anos o ex cangaceiro recebeu visitas em sua residência  para falar do seu tempo de cangaceiro. O que ajudou a costurar a história desse movimento tão complexo.



Vinte e cinco recebeu o escritor João de Sousa Lima 
no dia 29 de Abril de 2014.

Vinte e Cinco era de uma família numerosa, sendo oito irmãos e seis irmãs. Do segundo casamento do seu pai nasceram mais cinco homens e três mulheres. Teve vários primos e sobrinhos com ele no cangaço, tais como: "Santa Cruz", "Pavão", "Chumbinho", "Ventania" e "Azulão 3". No dia que entrou para o bando de Corisco o seu sobrinho Santa Cruz era aceito no grupo de Mariano.
 

Por conta de uma discussão com a cangaceira Dadá saiu do grupo de Corisco para o grupo de Lampião. 

No fatídico 28 de Julho de 1938 ele não se encontrava entre o bando porque havia sido incumbido de ir junto com os dois irmãos Atividade e Velocidade buscar uns mosquetões e umas munições.

 Na ocasião das entregas junto com vários cangaceiros.

Após a morte de Lampião Vinte e cinco se manteve escondido até se entregar as autoridades em novembro de 1938 junto com outros cangaceiros. Permaneceu preso por quatro anos em Maceió e dentro da cadeia começou a estudar, quando recebeu o alvará de soltura conseguiu através de um amigo emprego no estado como Guarda Civil. Quando o governador Ismar de Góis  Monteiro descobriu que ele havia sido cangaceiro convocou o secretário de Justiça do Estado, o senhor Ari Pitombo e disse que não podia admitir um criminoso na guarda ja que ele havia sido cangaceiro, o secretário procurou o chefe da guarda, o major Caboclinho que afirmou com toda convicção que entre os 38 guardas José Alves era o melhor profissional entre eles. 
 
 Vinte e Cico, Cobra Verde e Santa Cruz
a disposição da justiça.

O Secretário resolveu fazer um concurso entre os guardas e José Alves contratou duas professoras. Esqueceu as festas e curtições e foi estudar bastante o que lhe rendeu o primeiro lugar na primeira fase, na segunda fase se classificou entre os melhores mas quase foi reprovado justamente na "prova" de tiro, pois era acostumado com a Parabellum e teve que atirar com um revolver 38, abriram uma exceção para o candidato que então conseguiu provar sua habilidade e destreza. Atirando com uma parabellum ele acertou o alvo, depois de duas sequencias de erros com a outra arma. 




Escritor Sergio Dantas em visita à "Vinte e cinco"



Barreira, Santa Cruz, Vila Nova e Peitica. 
sentados - Pancada, Vinte e cinco e Cobra Verde.




Fonte: http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2014/06/adeus-vinte-e-cinco.html
 

sábado, 14 de junho de 2014

A HISTÓRIA CONTRAFACTUAL



A HISTÓRIA CONTRAFACTUAL



       Para quem pesquisa sobre a história e seus fatos dados como verdades, o título acima sugere outras formas de se pensar sobre a consolidação de uma ação cristalizada pelo tempo, interesse de classe ou por causa do status quo que vigora. Já diz o ditado que a vitória tem 1.000 pais e a derrota é um filho órfão. De fato, o questionamento a respeito de um fato consumado e adquirido pelo senso comum nos conduz a ver que é muito espinhoso o caminho de uma nova configuração. Afinal, revolver o passado pode ser a travessia de uma mentira petrificada para uma verdade (se é que existe) avassaladora. Não sei por que aqueles que tanto defendem uma tese de funcionamento da história tendem a querer não dar espaço para as ideias distintas de suas teorias que são incorporadas goela abaixo pelo público em geral.
Lampião, Maria Bonita e mais 9 cangaceiros mortos em Angico.
   

 A Histórica contrafactual sugere que pensemos num determinado fato histórico e possamos identificar que o mesmo fato seria moldado, caso os acontecimentos pudessem vir a se desfazer em outros fatos que sugeririam outras conotações e interpretações. Imagine uma Alemanha sem Hitler e, neste caso, haveria desta forma uma guerra mundial de proporções gigantescas que assolou o mundo dividindo-o em duas partes ditas antagônicas após 1945? Pense num Getúlio que não se suicidasse em 1954 e sua continuidade na política daria vez para que os militares, apoiados por camadas civis da sociedade, tomassem o poder central do Brasil em 1964? E se Lampião não tivesse caído na vida bandoleira, seria mais um sertanejo esquecido e abandonado?E o cangaço sem Lampião?E se o Brasil fosse uma colônia inglesa ou francesa? Se não existissem Adam Smith e Karl Marx? E se Jesus Cristo fosse esquecido após sua crucificação e morte? Para muitos, isto funciona como especulações sem fundamento, pois a história não transita por dúvidas, mas sim, por certezas. Mas de qual certeza estaríamos falando? A certeza de que sabemos o desenrolar de todos os fatos de nossa vida e de nosso meio? Não há garantias de nada neste mundo em que pisamos, pois as estimativas de futuro mudam ao sabor das andanças de uma sociedade que ora busca a novidade e ora volta a fazer uso do velho. O mundo mudou muito todos esses anos. Assim dizem muitas pessoas. Porém, a essência humana não mudou, pois ainda somos fisiologicamente dependentes da natureza que tanto maltratamos. Essa mudança dita aos 4 ventos só nos faz perceber que trocamos uma roupa gasta por uma nova roupa e que, a esta altura, parece que  essa troca valeu um novo pensamento(será?). Nos amparamos em textos, mensagens, frases de efeito, leituras complementares, senso comum, modismos baratos e sem sentido e outros bichos para adquirir  um saber que nos garanta não passar vexame na frente dos nossos pares ou dos nossos críticos. Mas acreditem, não há força maior que a do pensamento controverso, pois esta força vem do que nos é mais íntimo e evoluído: o pensar. Que o digam os gregos antigos que trouxeram nas costas todo o fardo positivo de estabelecer as bases para as ciências nos dias atuais. Por que eles foram tão sábios e formidáveis assim? Por que seus reflexos duram até hoje? Destino? Acaso? Obra da ação humana somente? A história está aí para ser buscada e rebuscada. As respostas podem ser diversas.
    Para a história contrafactual, não há fato que não possa ser estudado diante de tantas suposições e ingerências. Insistimos em construir nossa história pela nossa base cultural, em que pesa muito o destino ou a predestinação. O uso da conjunção “se”, nos traz à tona que nada é imutável, pois o que não existe de fato é o desejo de mudar ou transformar. A vida humana carece de motores que estão hibernando à espera de pessoas capazes de os fazerem funcionar. A novidade de fato não existe, pois somos o acúmulo do que aprendemos e não podemos nos desfazer de nossas vestes, pois o costume é algo como se fosse uma segunda pele: não desejamos perder. Essa nova roupagem é a consequência de que o novo é derivado do velho ou ultrapassado, pois o passado não é esquecido, no máximo, ele é desprezado, mas continua lá a lembrar que, por mais que possamos mudar algo, só estamos construindo de um novo jeito o que não se vai no presente. Nossa essência nos impede de sermos tão audazes assim. Uma nova ordem mundial e social não se faz com ações somente, se faz também com o sentimento que nós somos limitados e que somos frutos não somente dos nossos sonhos, mas também da intervenção benéfica ou não das outras pessoas que estão à nossa volta. No fundo, somos seres frágeis como uma flor que desabrocha e que necessita de cuidados. Mas teimamos em achar que o mundo nos serve de palco e descobrimos que podemos pensar o que quiser ou desejar o que há de mais alto. Mas, jamais sairemos de nossa extrema dependência fisiológica e natural. Se adquirimos mais capacidades de raciocínio, isto nos faz mais detentores de responsabilidades outras que ainda não assumimos perante o nosso planeta.
      Desta forma, não há garantias sobre a história humana. O que se faz é nada mais, nada menos, que uma interpretação de um fato histórico. Daí que, o nosso senso crítico nos pede que possamos filtrar a informação e construir o nosso próprio entendimento. Porém, não podemos nos desprender de algumas bases para compreender um determinado conhecimento. De fato, criar realidades lunáticas por desejar não ver o diferente não nos permite ver melhor um fato. O passado é o nosso DNA. Busquemos então, nos livrar do senso comum e dar ênfase à capacidade crítica de reter um fato à luz da ciência estabelecida. Supor uma ação humana que não foi feita num determinado fato histórico, nos faz pensar na capacidade de que, verdadeiramente amamos o passado, pois sem ele, não entendemos o nosso presente comumente atribulado e com respostas baseadas nos achismos comuns aos habitantes deste pequenino corpo celeste do Universo.

Foto: SILVA FILHO, Rubens Antonio da. “colorizando para melhor apreender”, in: “Cangaço na Bahia” site: cangaconabahia.blogspot.com acessado em 14-06-2014 às 9h.30. Blog Cangaço na Bahia.