domingo, 17 de agosto de 2014

''Entre aspas'


‘ENTRE ASPAS’

      



      Ao ligar a TV para ver as 'novidades mundiais', sempre nos deparamos com os conflitos existentes entre as diversas partes beligerantes no ‘Oriente Médio’. Interessante nos depararmos com uma constatação de que a paisagem em volta dos conflitos nas ‘áreas árabes e muçulmanas’ são sempre de degradação e destruição, nem sempre motivadas pelas guerras e conflitos locais. Faz lembrar, em termos, a Europa após as duas Grandes Guerras que assolaram tal continente: desolação e vida em risco.
   Afinal, o mundo ‘árabe e muçulmano’ sempre foi esta ‘horrível destruição’ impressa nas mídias mundiais? Houve sempre um aspecto feio na paisagem e na vida desses locais? Como justificar tantas ‘investidas’ das potências ‘mundiais e locais’ contra povos que não têm como se defender de tantas bombas e mísseis?
   Analisando fotos e documentos das décadas de 1950 e 1960 do século passado, notamos que a região dita ‘Oriente Médio’, já fora um ‘oásis’ de paz e de tolerância em relação a tantos povos e etnias que por lá vivem há séculos ou milênios. Seus inimigos sempre foram os ‘impérios’ de outrora que não conseguiram se estabelecer por muito tempo. Dois casos locais merecem destaque nesta ótica: ‘Afeganistão e Iraque’.
  ‘Aliados’ fieis das potências mundiais, ambos caminharam por vias do não enfrentamento. A Guerra Fria motivou para que a região fosse palco de disputas de hegemonia entre as potências ‘capitalistas e comunistas’. Sendo válido desta forma que qualquer pessoa que subisse ao poder pudesse estar alinhada a um ou outro grupo. O mais importante neste caso seria a logística dos interesses. Pois bem, o que houve foi a desestruturação do poder local, favorecendo a que ‘famílias ou clãs’ pudessem determinar o que lhes era mandado fazer. Com a ‘crise do petróleo’ na década de 1970, houve a acirrada busca de poder, que favoreceu a tamanha contradição.
   O Afeganistão tornou-se ‘frágil’ e foi logo sendo ‘invadido’ pela URSS em 1979, ocorrendo a uma guerra de quase uma década em que uma ‘potência’ via-se diante de ‘pastores pobres e de espingardas nas mãos’. Os EUA não perderam ‘tempo’ e armaram os ‘mujahedins’ para a defesa contra os russos. O resultado foi trágico: milhares de mortos, um país pobre em ruínas e a ‘ascensão dos talibãs’ que instauraram um regime ‘fechado e cruel’, em que ‘normas’ sociais e pessoais eram dadas ao extremo(burca, charria, barba grande). Uma consequência disso foi o surgimento de ‘grupos armados’ que defendiam seus ‘planos’ de poder e de domínio, em que o mais importante era a ‘destruição’ do ‘Ocidente e dos infieis’, baseadas nas ‘leis’ do islamismo. Todas as ‘conquistas’ dessas populações, mesmo em um reinado, foram sendo     ‘diluídas’ em pouco mais de uma década.
    Os grupos de ‘jovens islamitas’ foram aos poucos sendo ‘dominados’ pela perspectiva falsa da ascensão de suas ações contra as potências, outrora amigas. Surge então a ‘Al kaeda’ e, suas  ‘consequências’, todos hoje conhecemos.
    O Iraque torna-se um país ‘forte’ nos fins da década de 1970 e alia-se aos EUA, para depois, atacar sem ‘precisão’ o vizinho Irã. Uma guerra sem ‘necessidade’ e que findou na compilação de um país afundado em problemas sociais que vão culminar na ‘ditadura’ de Saddan Hussein, que se torna inimigo feroz dos ex-amigos ianques, e volta-se por uma ‘corrida imperialista’ ao ‘invadir’ o Kuwait e ver que toda essa ação conduziria esse país, suas etnias e seu presidente a ruína. Hoje o Iraque vive á ‘sombra’ do que foi: um país com grande reserva e  grande produtor de petróleo e com um IDH em crescente expansão na década de 1980. Tanto o Afeganistão, quanto o Iraque estão contidos no ‘eixo do mal’ dito por Bush. Assim, Bin Laden e seus ‘amigos’ constituíram uma ‘defesa contraditória’ e expuseram o islamismo ao ‘ódio’ pelos ‘ocidentais’, a ponto de hoje, quaisquer pessoas com ‘feições árabes’ são olhadas com desconfiança e até temor pelos ‘europeus’, ‘estadunidenses’ e seus ‘aliados’. Injusta configuração aos povos que tanto contribuíram para a ‘humanidade’ e, que hoje, sustentam o ‘movimento do mundo’ através de seu ‘ouro negro’. Um Iraque que não consegue ‘unidade nacional’ e vê surgir grupos que estão matando sem justificativa, além de favorecer para a ‘proliferação’ de redes de jovens que ‘doam suas vidas’ por um ideal em que acreditam piamente.
    O resultado da ‘Guerra Fria’ está aí para todo o mundo ver: o ‘Oriente Médio’ dividido, vendo sua Palestina sendo encurralada e dominada por ‘grupos extremistas’, governos sem ‘legitimidade’ e suas etnias sendo dizimadas pelas guerras, ‘genocídios’ e pelas ‘interpretações equivocadas’ do Corão. Usa-se a religião islamita para justificar atos desumanos e as ‘potências imperialistas’ ainda acirram o ódio pela população que nem sempre tem como se defender. ‘Homem-bomba’, ‘carro-bomba’, atentados em todo o planeta, ‘reação com pedras’, ‘intifada’, ‘Jihad’, falta de perspectivas aumentando e o surgimento de grupos armados por todos os lados com ‘ânsia de poder e dominação’. São esses os resultados dos enfrentamentos anteriores dos dois maiores ‘blocos’ da Guerra Fria, ao constatarem que seus projetos de ‘dominação regional’ fracassaram e aumentaram as crises do ‘Oriente Médio’, outrora lugar pacífico e de grande fluxo turístico por sua história, hoje ‘zona de guerra’ e um dos lugares em que viajar a passeio tornou-se um ‘inferno e uma aventura quase letal’.
   Um lugar que foi o ‘berço da civilização’ tornou-se o centro da ‘barbárie mundial’, onde os grandes responsáveis estão ‘longe’ e apenas mandam ordens de ‘ataque ou de matança’. Cristãos, judeus e muçulmanos são alvos dessas ‘desavenças’ que trouxeram para o mundo e para todos os ‘fieis’ a impressão de que ‘religião e ódio’ são parte da mesma moeda. Difícil dizer se isso vai se ‘perpetuar’ ou se algum dia a ‘paz e tolerância’ serão novamente uma ‘constante’ ou se gente perversa’ ainda promoverá mais destruição a seu ‘bel prazer’ em povos fragilizados pelo ‘terror’ que surgiu com a ‘ingerência’ e o ‘total apoio’ dos ‘ocidentais capitalistas e/ou comunistas’.


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